Iniciativa busca transformar compromissos políticos em ações concretas nos municípios, ampliando a cobertura vacinal e fortalecendo políticas oncológicas
A Coalizão Cidades no Controle do Câncer lançou, no dia 10 de março de 2025, a sua segunda fase. Agora, o projeto se concentra no monitoramento das ações concretas dos gestores públicos que assinaram a carta compromisso, com um foco estratégico na vacinação contra o HPV. O objetivo é ampliar a cobertura vacinal nos municípios e fortalecer políticas públicas para a prevenção do câncer.
Criada em julho de 2024, a Coalizão é liderada pelo Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC) em parceria com as seguintes organizações: a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), o Instituto Oncoguia, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o Instituto Vencer o Câncer e o Instituto Natura. Atualmente, 23 prefeitos e 85 vereadores eleitos de 41 cidades estão comprometidos com a agenda oncológica, impactando diretamente 14 estados brasileiros e alcançando mais de 30 milhões de pessoas.
Vacinação contra o HPV como prioridade
A coordenadora da Coalizão, Cibele Carneiro, abriu a live destacando a estratégia central da segunda fase do movimento: ampliar a cobertura vacinal contra o HPV para meninos e meninas de 9 a 14 anos. A meta é atingir uma taxa de 90% de imunização por meio da vacinação contra o HPV, conforme diretriz do Ministério da Saúde.
“Escolhemos esse foco porque é uma meta viável e de grande impacto. A vacina contra o HPV já está disponível no SUS, e a ampliação da cobertura vacinal pode prevenir até sete tipos de câncer. Precisamos garantir que os gestores municipais priorizem essa ação”, afirmou Cibele.
Manoela Onófrio, coordenadora de projetos do IGCC, reforçou a importância da vacinação e explicou que a conscientização da população e a mobilização das secretarias municipais de saúde são fundamentais para o sucesso da campanha.
“A vacinação contra o HPV é uma das formas mais eficientes de prevenção ao câncer. No entanto, ainda existem barreiras, como a desinformação e a resistência à vacina. Nosso papel é garantir que os gestores entendam que essa é uma estratégia essencial para a saúde pública”, ressaltou Manoela.
Para apoiar as prefeituras e câmaras municipais, a Coalizão desenvolveu um novo kit de materiais estratégicos, incluindo guias de ação para prefeitos, vereadores e organizações articuladoras. Além disso, um sumário executivo foi elaborado para cada uma das 41 cidades participantes, trazendo dados sobre a vacinação local e sugestões de medidas para melhorar os índices de cobertura.
Como ampliar a vacinação contra o HPV nos municípios?
Dois convidados trouxeram experiências práticas sobre como ampliar a cobertura vacinal do HPV e implementar políticas públicas oncológicas: Antonioni Pereira, coordenador da Vigilância Epidemiológica de Colombo (PR), e Tauã Ney, vereador de Pelotas (RS).
Antonioni compartilhou as estratégias que fizeram com que Colombo atingisse impressionantes 95,64% de cobertura vacinal para meninas e 85,17% para meninos. Ele destacou ações como ampliação do horário de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), integração da vacinação com programas de saúde da mulher e campanhas de busca ativa.
“A busca ativa é fundamental. Nossa equipe entra em contato com a população e realiza visitas domiciliares. Além disso, ampliamos os horários das UBS e trabalhamos com escolas e programas de saúde para aumentar a vacinação contra o HPV. Assim, garantimos que os gestores priorizem essa ação essencial para a saúde pública.”, explicou Antonioni.
Apesar dos números expressivos, o coordenador da Vigilância Epidemiológica de Colombo ressaltou que a cidade não adotou medidas extraordinárias, mas sim seguiu boas práticas recomendadas pelo Ministério da Saúde e por outras cidades que já obtiveram sucesso na vacinação.
“Não fizemos nada de extravagante, apenas seguimos as boas práticas e garantimos que a vacinação estivesse acessível para a população. O segredo é ter planejamento, mobilização e informação qualificada para que as famílias entendam a importância da imunização”, destacou Antonioni.
O vereador Tauã Ney, por sua vez, relatou como sua trajetória pessoal o motivou a atuar pela causa oncológica. Após perder sua mãe para o câncer em 2024, ele assumiu o compromisso de fortalecer as políticas públicas de prevenção e tratamento da doença em Pelotas.
“A luta contra o câncer se tornou um propósito de vida para mim. Desde o início do meu mandato, apresentei projetos de lei para instituir uma política municipal de prevenção e controle do câncer e criar a Semana Municipal de Conscientização sobre a doença. Além disso, estamos destinando recursos de emendas impositivas para campanhas de vacinação contra o HPV”, declarou o vereador.
Tauã enfatizou ainda a importância da navegação de pacientes no sistema de saúde e a necessidade de garantir transporte e assistência para quem precisa se deslocar para realizar tratamentos oncológicos.
“Estamos construindo um levantamento completo sobre a realidade oncológica da cidade. Identificamos que, apesar de Pelotas ser referência regional, ainda enviamos cerca de 150 pacientes por ano para outras cidades, o que mostra a necessidade de fortalecer a rede local de atendimento”, pontuou.
Prêmio incentiva ações locais para ampliar a vacinação contra o HPV
Durante a live, a Coalizão também lançou a segunda edição do Prêmio de Organizações Articuladoras de Destaque, que busca incentivar iniciativas que promovam o avanço das políticas públicas oncológicas nos municípios. Em 2025, a premiação distribuirá um total de R$ 15.000, divididos entre as três organizações vencedoras.
“Queremos acelerar as ações nos municípios e reconhecer o trabalho das organizações que estão fazendo a diferença. Além do impacto direto na prevenção e no tratamento do câncer, essa premiação incentiva o fortalecimento de redes de apoio e articulação política em prol da saúde pública”, destacou Cibele Carneiro.
As organizações interessadas podem se inscrever através do site da Coalizão e comprovar suas ações por meio de reuniões com gestores, elaboração de planos de ação oncológica e formalização de parcerias com prefeituras e secretarias de saúde. A revelação dos vencedores acontecerá em 29 de julho, data que marca um ano do lançamento do movimento.
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Próximos passos da Coalizão e o impacto esperado
A live encerrou com um chamado à ação para que prefeitos, vereadores e organizações da sociedade civil intensifiquem os esforços na prevenção e controle do câncer.
“Nosso objetivo é que, ao final dos mandatos atuais, tenhamos um legado concreto no enfrentamento ao câncer nos municípios brasileiros. A Coalizão continuará monitorando e cobrando o cumprimento dos compromissos firmados”, concluiu Cibele.