Roda de conversa realizada em 30 de setembro, em São Paulo, destacou a participação da sociedade civil nas decisões sobre saúde e a importância de acompanhar os compromissos assumidos pelas lideranças políticas.
A assinatura de uma carta-compromisso abre um diálogo que precisa continuar depois das eleições. Essa foi uma das mensagens da roda de conversa promovida pela Coalizão Cidades no Controle do Câncer em 30 de setembro de 2026, durante o 13º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), no WTC Events Center, em São Paulo.
Com o tema “Coalizão Cidades no Controle do Câncer: Eleições 2026 e os desafios de coordenação entre entes para implementação das políticas oncológicas no Brasil”, a atividade ocorreu na sala Multi 2A, das 16h50 às 18h30. O encontro reuniu representantes de organizações da sociedade civil para compartilhar experiências de mobilização e discutir a continuidade da atuação junto ao poder público.
A mediação foi conduzida por Mely Paredes, gerente de Relações Institucionais, Policy e Projetos do Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC). Participaram Érica Ana Hobold, coordenadora de Mobilização e Gestão da FEMAMA; Maria Zilma de Oliveira Mariano Ribeiro, fundadora e presidente da Associação Mulheres de Peito / Casa Rosa, de Minas Gerais; e Ana Lúcia Mendonça dos Reis, presidente da Associação VIAMAMA, do Rio Grande do Sul.

A Coalizão Cidades no Controle do Câncer é liderada pelo Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC), em parceria com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), o Instituto Avon, o Instituto Oncoguia, o Instituto Vencer o Câncer e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). A iniciativa, lançada em 2024, reúne ainda dezenas de organizações da sociedade civil de todas as regiões do país.
Sociedade civil na mesa de decisão
Mely Paredes destacou que a Coalizão oferece um caminho para construir uma atuação conjunta e ampliar a participação nas decisões sobre saúde nos municípios, nos estados e na União. Para ela, esse processo deve ocorrer “com participação das representações de pacientes, com representação da sociedade civil sentando na mesma mesa de decisão”. A gerente do IGCC reforçou: “A gente precisa fazer isso em conjunto”. A mediadora também ressaltou a importância de considerar as necessidades de cada território na construção das políticas oncológicas.
“Esses instrumentos de participação são importantes para a gente ter pluralidade no diálogo”, afirmou.
Segundo Mely, as soluções precisam conciliar os desafios da gestão pública, como limites de orçamento e diferentes prioridades em saúde, com as necessidades da população. A participação social contribui para aproximar essas perspectivas e construir respostas viáveis para a realidade de cada território.
Acompanhamento dos compromissos
Ao longo da conversa, as participantes reforçaram que a mobilização pelas cartas-compromisso deve estar vinculada ao acompanhamento das ações das lideranças políticas. A assinatura representa uma etapa importante, mas precisa ser seguida por diálogo, cobrança e participação social.
As contribuições também apontaram a importância de buscar lideranças que ainda não aderiram à iniciativa e manter essa aproximação após o período eleitoral. Visitas, reuniões e conversas com representantes eleitos foram mencionadas como caminhos para apresentar as demandas das organizações e sustentar o controle do câncer como uma pauta permanente.
A necessidade de conectar o diagnóstico ao tratamento em tempo oportuno também esteve presente nas falas, aproximando o debate sobre compromissos públicos das dificuldades vividas por quem precisa acessar o cuidado.
Advocacy construído por pessoas e organizações
Érica Ana Hobold destacou a articulação da Coalizão como uma expressão concreta do advocacy: reunir organizações, dialogar com quem participa das decisões e conectar diferentes atores para influenciar políticas públicas.
Em sua contribuição, a coordenadora da FEMAMA valorizou o trabalho conjunto com o IGCC e as organizações da rede. Sua fala ressaltou que a atuação compartilhada permite transformar uma ideia muitas vezes percebida como abstrata em mobilização concreta.
A união entre as organizações também foi destacada como uma forma de ampliar a presença das demandas das pessoas com câncer nos espaços de decisão. Compartilhar experiências, somar vozes e manter o diálogo com o poder público são caminhos para fortalecer essa participação.
Uma mobilização que continua
O encontro reforçou a continuidade da atuação da Coalizão para além das eleições de 2026. Além de mobilizar candidaturas para a assinatura das cartas-compromisso, a rede tem o papel de acompanhar os compromissos assumidos e contribuir para que se traduzam em ações. A roda de conversa abriu espaço para a troca entre organizações de diferentes territórios e reafirmou a importância de uma construção coletiva, conectada à realidade de quem acompanha diariamente os desafios do cuidado oncológico.